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Amável

28
Jan21

Carta Aberta ao Meu Futuro Marido

Juliana Sousa

Carta-marido-casamento-futuro-devaneios

Olá, meu amor. Eu sei que neste preciso momento estás por aí algures a beber uma cerveja, ou outa coisa qualquer, enquanto te queixas que as mulheres são todas meio amalucadas e que nunca mais encontras "uma de jeito". Ou isso, ou estás a dizer que tão cedo não te metes noutra. Sei também que estás farto de mulheres inseguras que não são capazes de lidar com a tua luz porque tu és um homem forte, carismático, cheio de beleza interior e isso pode assustar uma mulher.

És o tipo de pessoa que gosta de dar, nunca pedes nada em troca mas no fundo, no fundo, também gostavas de receber qualquer coisa de vez em quando. Nem que fosse a atenção, o carinho que mereces.

Peço desculpa mas vais casar com uma amalucada, insegura e que não tem assim tanto jeito como tu querias: eu! Pois é, meu amor. Eu, também, sou assim meia insegura e muitas vezes a tua luz vai-me deixar ofuscada mas prometo uma coisa: eu vou adorar receber da tua generosidade mas vou-te pagar em mil, com amor, dedicação e companheirismo.

Esta doida vai ser a tua melhor amiga, a tua outra parte de uma equipa de dois. A tua protetora, mãe de todos os filhos que nos apetecer ter e se não nos apetecer, cães e gatos também são gente.

Ah, muito importante: quero que saibas que eu não preciso de ti. Sou uma mulher completa, amo a minha vida, os meus amigos, as minhas coisas, as minhas aventuras, o meu trabalho. Estou cheia de sonhos, de objetivos, de vontade de viver. Sou sozinha mas não me sinto só. E quando me bate a solidão, escrevo coisas destas.

Vês? Completamente maluquinha, a escrever cartas a futuros maridos imaginários.

Mas é verdade. Não preciso de ti mas quero-te. Quero-te não porque precise que alguém me faça feliz ou me dê isto ou aquilo ou me complete ou dê sentido à minha vida. Não vou ser dependente de ti, o que eu quero é alguém a quem me dar. Porque estou a transbordar de vida e quero partilhar a minha plenitude com alguém. Contigo! Quero-te porque tenho tanto para dar.

De ti, só quero que estejas sempre lá, ao meu lado, sempre que eu precisar para partilhar todas as pequenas vitórias e tristezas passageiras, que respeites a minha loucura e que me tentes entender por mais difícil que seja. Porque eu sei que muitas vezes não vamos estar de acordo, mas se eu te escolhi, também sei que vamos deixar as nossas diferenças de lado, atirar tudo para trás das costas, agarrar um no outro e fazer as pazes pela casa toda. Será que consegues?

Meu amor, meu futuro marido. Tenho uma promessa para ti: prometo ser sempre doida, um pouco insegura, vais precisar de muita paciência para a minha independência teimosa, vou estar lá sempre que precisares, mas uma coisa eu não vou ser, dependente de ti para ser feliz.

Quero-te porque procuro alguém a quem eu possa dar. Quero-te porque procuro alguém a quem fazer feliz.

Onde eu estou? Algures, a beber uma cerveja, de cigarro na mão, rodeada de amigos e a jurar que tão cedo não me meto noutra. Deixa-me saber quando estiveres preparado, porque eu sei que não estou, mas sei o que quero, a ti. 

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