Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Amável

09
Nov20

Tenho COVID-19 e agora?

2ª Semana – Solidão e Consciencialização

Juliana Sousa

tenho-covid19-e-agora-amavelbyju- amavel

 

Estou há 2 semanas fechada dentro de 4 paredes, longe do meu quotidiano, da minha rotina e daqueles que amo, agora praticamente recuperada e assintomática fisicamente.

Digo fisicamente porque é agora que os sintomas psicológicos consequentes da doença, aqueles de que pouco se fala, se apoderam de mim: ansiedade, solidão, apatia, revolta, enfim isolamento.

O ser humano foi desenhado para viver em sociedade, livre e com uma necessidade iminente de convívio, de afeto, de toque, de interação. Não é à toa que procuramos a vida toda por alguém para acordar e adormecer ao nosso lado todos os dias, consciente ou inconscientemente necessitamos de partilhar o nosso dia-a-dia com um ser que possa eventualmente entender as nossas preocupações, alegrias e tristezas. Essa coisa que alguns chamam casamento, amizade e família.

Esta 2ª semana, deu-me tempo para pensar e um abre olhos sobre o que desvalorizamos e o que valorizamos nesta vida.

As roupas giras e acessórios ficam intocáveis no armário e os pijamas, homewear, sportswear (benditas leggings) chinelos e pantufas ganham o desfile (com muito estilo), a maquilhagem fica na gaveta, malas e carteiras? Quem precisa disso? Nem sei onde guardei a minha chave do carro…

A verdade é que nem sinto falta de nada disso, mas sinto falta das pessoas e embora a tecnologia nos permita falar, ver e passar o tempo, 5 vídeo chamadas depois, 25 telefonemas, um infindável numero de sms, e-mails e notificações sociais de todas as apps disponíveis, ainda sinto falta das pessoas. A tecnologia realmente ajuda, mas não sentimos a energia do outro.

Poder abrir a porta de casa e caminhar no exterior, sentar no jardim a ler um livro ou com o portátil no colo, sentir o vento no cabelo ou o sol no rosto tornaram-se os meus maiores prazeres neste momento.

As horas passam mais devagar e 3 Temporadas depois de uma série fantástica ainda continuo a sentir picos de ansiedade sempre que penso no futuro. A impotência de não poder estar presente para apoiar ou ajudar alguém e de não poder planear nada até um resultado negativo deixa o meu subconsciente sobrecarregado.

Os finais de tarde e as noites são mais difíceis, nem sei bem porquê, mas é nesta parte do dia que a consciencialização de que há algo invisível à solta que pode derrubar e virar o teu mundo ao contrário em segundos me deixa mais debruçada sobre a fragilidade da linha que separa a vida e a morte. Não só por mim, mas por todos.

Posto isto, o meu conselho de hoje é: aproveita cada momento com as tuas pessoas, desfruta da tua liberdade independentemente daquilo que trazes vestido ou no bolso, abraça muito, ri muito, não te chateies com aquilo que não controlas, perdoa mesmo quando estás magoado, aceita perder as discussões mesmo quando tens razão, não tenhas medo de ser o primeiro a dar o braço a torcer e mantém, sempre que possível aqueles que amas muito perto.

 

To be continued…

4 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub